terça-feira, 4 de maio de 2010

Parte um




1 - Apresentando "L", uma garota normal com manias diferentes

Os pingos de chuva batem em meu rosto enquanto corro, o metrô sai silencioso da estação como uma cobra gigante alastrando mato adentro, quando olho para trás ele já sumiu na curva. As pessoas passam por mim mas fingem que não me vê.

Chego á estação do metrô ofegante de tanto correr, a mochila pesada faz minhas costas doerem, olho ao meu redor procurando um rosto amigo. Não encontro ninguém, paro para respirar saindo do caminho das pessoas... Me encosto em uma parede de tijolos e afasto os cabelos de meu rosto.

Minhas mãos percorrem o bolso de meu casaco preto e surrado á procura do maço de cigarro de menta, finalmente o encontro, era o ultimo cigarro, atiro a caixa vazia em uma lixeira próxima, o esqueiro não pega.

De repente vejo uma mão estendendo um esqueiro novo para mim, olho de relance para a pessoa, era um jovem, alto, loiro (como um tipico alemão), olhos azuis e sorriso no rosto.

- Obrigada... - agradeço retribuindo o sorriso. Meus olhos percorrem o rapaz de cima á baixo. Ele possuia uma máquina fotográfica pendurada no pescoço.

- Por nada... - diz o rapaz, devolvo o esqueiro, dou uma tragada e solta a fumaça longe dele.

-Desculpe, não tenho nenhum cigarro para lhe oferecer, esse era o ultimo. - digo sem graça, arrumo a mochila nas costas, enfio as mãos no bolso, com o cigarro pendurado na boca, solto meus cabelos que estavam presos em um mini rabo-de-cavalo.

- Não tem problema... É... Qual seu nome? - pergunta o rapaz de um modo educada, por que diabos ele queria saber meu nome?

-Ah... Sou mais conhecida como "L", pelo menos todos me chamam assim... Quanto ao meu nome prefiro não comentar - respondo de forma breve, dando um leve sorriso.

- Eu sou o Dereck... Okay "L", se prefere ser chama assim... Para onde está indo? - pergunta Dereck de modo educado...

Toda aquela gentileza dele me deixava sem graça, achava estranho, a estação do metrô ao lado da minha casa era um dos lugares que eu mais frequentava, e nunca, nesse tempo todo que venho aqui alguém parava para conversar comigo.

- Estou voltando para casa, acabei de vim da escola. - respondi.

- Certo... Está chovendo... Mora aqui perto? - perguntou.

- Sim... Eu gosto de andar na chuva... - respondi de forma breve. - Então... A gente se vê por ai...

Sai andando sem ao menos ouvir o que ele resmungou, só ouvi um breve pedido de "Espere..." Mas não esperei, aquele rapaz era de uma certa forma, estranho... Estranho de uma forma boa e estranhamente familiar... Parecia que o conhecia de algum lugar.

Enquanto voltava para casa, meus pensamentos giravam em torno dele, não que eu realmente me interessasse facil por caras assim, alias, nenhum tipo de cara REALMENTE faz meu tipo, sou uma menina de 18 anos pronta para assumir quem eu sou, do que gosto e o que quero... Se eu ao menos soubesse o que realmente quero e o que realmente sou.

Todos me consideram uma garota perdida... Perdida no próprio mundo em que ela criou, não que eu viva nas nuvens, mas encarar o mundo de frente é uma idéia bastante assustadora para mim... Me dá medo... Aquele mesmo medo quando saimos de casa tarde da noite em uma noite de temporal... Hoje em dia isso não significa nada para mim.

Quem eu sou? Apenas uma garota de cabelos curtos, castanhos bem claros, olhos esverdeados, 1,50 de altura (okay, eu sou baixinha mesmo) e que vive enfiada em um jeans surrado, all-star sujo e blusas de cores escuras.

Minha personalidade? É algo que se torna bem complexo á medida que o tempo passa, e a coisa mais dificil do mundo é falar como sou... Sou apenas mais uma em um bilhão de pessoas, tento encontrar um sentido para todas as coisas que acontecem, tento viver minha vida de modo intenso e satisfatório, sempre em busca de novas sensações, novos amigos e novos lugares para se conhecer. Paixão realmente nunca foi meu forte, mas se rolar alguma quimica, eu deixo acontecer.

Não, não há mais nada á se falar sobre mim...