sábado, 29 de maio de 2010

10 - Maturidade

"E esse itém faz parte da minha lista á três anos e ele é te fazer minha... Só minha e pra todo o sempre..." As palavras de Klaus ecoavam em minha mente e não saiam de minha cabeça por sequer um minuto; eu estava surtando.

Desda aquela noite não vi mais Klaus e sau de sua casa no domingo de manhã com a promessa que o procuraria com uma resposta. Ele apenas sorriu e acenou pra mim com um ar despreocupado porém ancioso.

Estava totalmente confusa em relação á meus sentimentos por Klaus. E confesso que na maioria das vezes me pegava sonhando acordada e me imaginando em uma casa com um enorme jardim na frente, deitada na grama de mãos dadas com ele em uma cidadizinha qualquer no interior da Alemanha.

Seria ótimo viver essa vida com Klaus e realizar todos os ités da minha lista ao lado dele... Mas ficava me perguntando se Klaus realmente é a pessoa certa pra mim... (se é que existe pessoa certa pra mim...)

O amor? O que era isso? Ainda me perguntava todos os dias sobre esse sentimento que as pessoas dizem sentir pelas outras e se era isso que sentia por Klaus. Não fazia a menor idéia que rumo minha vida tomaria daqui pra frente, mas sentia uma enorme necessidade de mudar as coisas...

Parei de ir á escola... Não tinha estômago para encarar os professores e não pretendia voltar nem tão cedo (ou talvez nunca...), passava os dias andando de metrô ou vagando pelas ruas do centro da cidade...

Voltei á praçinha onde encontrara Laysla pela primeira vez, sempre ir lá nos finais das tardes e ficava até o anoitecer... Em uma terça feira á tarde estava sentada tranquilamente, fumando meu cigarro de menta, olhando para o nada quando de repente sinto uma coisa molhada lambendo minha mão esquerda, era Bill, o cachorro de Laysla.

Brinquei com o enorme labrador e segundos depois Laysla apareceu na minha frente com um sorriso no rosto. A garota usava uma boina preta, vestido de manda comprida cor de creme e um casaco marrom.

- Oi "L" - disse a garota ainda sorrindo para mim - lembra de mim?

Concordei com a cabeça e sorri para ela, apaguei o cigarro na sola do meu all-star surrado e me levantei colocando as mãos no bolso do meu casaco (como de costume).

- Já té meio tarde... - comentou Laysla olhando o pontei do relógio da praçinha que marcava 7h da noite. Na verdade, 7h da noite era cedo pra mim (uma garota largada) mas não para uma garotinha como Laysla.

-Quer que te leve até em casa? - me ofereci de forma educada, Laysla balançou a cabeça indicando um "sim" e seguimos caminhando até uma rua cheia de casas com cercas baixas de madeira.

Durante o trajeto até a casa de Laysla fui conversando com a garota, achava engraçado o fato de conseguir manter umas conversa com uma menina bem mais nova que eu.

- Você parece meio distante "L"... - comentou Laysla repentinamente, olhei de relance para ela e vi que esta, me olhava de forma curiosa. Era como se estivesse tentando ler meus pensamentos e entrar em minha mente.

- Problemas... - respondi tentando demonstrar um pouco de indiferença.

- Que tipo de problemas? - perguntou Laysla.

- Pessoais... são problemas que sempre estiveram comigo, não me leve á mal, mas não quero falar sobre isso... - a imagem de Klaus veio em minha cabeça.

- Sabe o que eu acho "L"? - disse Laysla

- Hum?

- Eu não sei nada sobre você ou sobre sua vida, mas... Acho que você tem medo das pessoas te machucarem e tem medo de dá uma chance a si mesma de ser feliz...

De repente, a garotinha de seis anos deu lugar á uma mulher mais amadurecida, arregalei os olhos com as palavras de Laysla e lágrimas quiseram brotar de meus olhos. Chegamos em frente á uma casa grande, de dois andares no final da rua. Nada disse á Laysla quanto á suas palavras e nem as lágrimas rolaram por meu rosto.

- É aqui!- anunciu Laysla - vamos entrar?

Hesitei um pouco e abria boca para falar algo, mas senti a pequena mão da menina puxando a minha e me conduzindo para dentro da casa abrindo a porta de madeira com um estalo. O hall da casa era todo de tábua corrida com móveis luxuosos e uma enorme lareira acesa na sala de estar. Uma escada de madeira em espiral se encontrava ao lado do sofá.

Laysla continuou me puxando até a escada de madeira que levava até um corredor no andar de cima, as paredes eram repleta de fotos, provavelmente da familia. Amenina me levou até uma porta de mogno avermelhada no final do corredor.

Entrei no comodo onde era o quarto de Laysla; uma cortina cor de rosa-bebê cobria a janela que dava de frente para a rua, bonecas de porcelana de todos os jeitos e cores lotavam as prateleiras de madeira do quarto, a cama de Laysla era grande o suficiente para caber duas pessoas.

A menina pendurou seu casado e sua boina no cabideiro do quarto, fiz o mesmo com meu casaco de frio.

- Não tem ninguém em casa? - perguntei me sentando no tapete fofo do quarto.

- Tem a governanta, mamãe e papai devem chegar mais tarde - disse Laysla se sentando perto de mim.

Ficamos alguns breves minutos em silêncio, observava cada detalhe do quarto de Laysla, os ursos de pelúcia em cima da cama, o enorme guarda-roupa no canto do quarto,livros infantis em cima do criado...

- Quer chocolate quente? - ofereceu Laysla sorrindo.

- Eu... Adoraria! - aceitei meio sem jeito.

Laysla se levantou em um salto e desceu as escadas correndo, seus passos ecoavam pelo corredor da casa. Em dentro de cinco minutos, Laysla voltou trazendo duas canecas fumegantes de chocolate quente, aceitei uma e dei um gole sentindo o liquido quente descer por minha garganta.

-"L"... - chamou Laysla de mansinho, olhei para ela - Você... Gosta de alguém?

- Bom... - já não me assustava mais com as perguntas repentinas de Laysla, alias, esperava tudo dela agora - Eu não sei ao certo...

- Como assim? - perguntou a menina rindo.

- Na verdade... Gosto muito de uma pessoa... Muito mesmo... Mas...

- Mas o que?

- Tenho... Receio, não sei, não é isso, gosto muito dessa pessoas mas não sei se gosto do mesmo modo que ela gosta de mim - eu não acreditava que estava falando isso com Laysla, simplesmente saiu de minha boca sem eu perceber.

- E quem é essa pessoa?

- É... um amigo meu, o nome dele é Klaus - pronunciar o nome de Klaus me fez estremecer.

- Hum... - disse Laysla pensativa - E ele gosta MUITO de você?

Concordei com a cabeça, Laysla sorriu e completou:

- Então por que não dá uma chance pra ele?

Se fosse definir Laysla com uma palavra, essa palavra seria MATURIDADE, era inacreditável que essa menina falava essas coisas comigo, Laysla simplesmente havia dito tudo o que eu precisava ouvir. Sorri para ela mais uma vez e sussurrei um OBRIGADO...