Acordei bem cedo no dia seguinte, Kessi ainda dormia profundamente ao meu lado, levantei e me vesti sem fazer barulho, fui até o banheiro, lavei o rosto , passei a mão nos cabelos e voltei até o quarto, Kessi ainda não havia acordado, rabisquei um bilhede rápido e deixem na beirada da mesa-de-cabeceira ao lado da cama de Kessi.
Fechei a porta sem fazer barulho, minhas botas estavam perto da porta de entrada do apartamento, calçei-as rapidamente e procurei as chaves da casa, destranquei a porta, abri sem fazer barulho, tranquei novamente e joguei a chave por baixo da porta.
Desci as escasas correndo e sai para a rua, o vento frio da manhã gelou meu rosto branco, andei até a estação do metrô. Klaus era tatuador e seu estúdio ficava á poucos metros dali, não estava muito á fim de voltar para casa, olhei no relógio da estação e o ponteiro marcava 8h da manhã.
Klaus com certeza ainda não havia aberto o estúdio, não havia problema, sua casa ficava nos fundos, iria lá assim mesmo, fui caminhando em direção á casa de com uns 10 minutos cheguei lá, toquei o interfone e uma voz totalmente embargada de sono atendeu:
- Oi? - era a voz de Klaus.
- Klaus! Aqui é a "L", abre ai pra mim... - eu disse com um tom de voz animada.
- Vem cá, to aqui nos fundos. - disse Klaus, e pelo som de sua voz, percebi que ele estava sorrindo.
A portinha ao lado do estúdio abriu com um estalido, empurrei e entrei, havia um longo corredor azul-escuro que dava para os fundos do estúdio onde Klaus morava.
Klaus era beeeem mais alto que eu (grande coisa!), moreno, olhos azuis, pele branca, uma barba meio mal feita, magro e possuia algumas tatuagens em seu braço direito e nas costas. Ele usava uma blusa de manga comprida e calça social marrom. Klaus sorriu ao me ver e estendeu seus braços magros em um abraço.
- Que surpresa te ver aqui tão cedo - a voz grossa e rouca de Klaus me tranquilizava, estava com saudades de ouvir essa voz, ele me deu a mão e me puxou para dentro da casa, estava totalmente bagunçada.
Klaus nunca foi um exemplo de organização, já fui em sua casa inúmeras vezes desde que ele se mudou para os fundos do estúdio e sempre estivera do mesmo jeito, cheio de roupas espalhadas pela casa, copos sujos, cinzeiros lotados de sobras de cigarro, e garrafas de cerveja empilhadas em um canto qualquer da sala.
-Ah, fui dormir na casa de Kessi ontem á noite e aproveitando que tava por perto, decidi ver um velho rosto amigo - disse de forma sorridente.
Klaus sorriu de volta e me indicou uma poltrona para me sentar, foi até a cozinha que imendava com a sala e trouxe duas canecas de café e um maço de cigarro. Aceitei uma das canecas, peguei um cigarro e ascendi.
- Você não muda mesmo "L" - comentou Klaus rindo. A propósito, Klaus é uma das poucas pessoas que conhece meu nome verdadeiro além de meus irmãos, ele nunca contou á ninguém de nossa turma e nem mesmo ousou me chamar pelo meu nome, embora ele insista em dizer que meu nome é lindo.
- Não mesmo, mas não sou mais aquela mesma garotinha que conheceu á três anos atrás...
- Não, mas você entendeu, velhos hábitos nunca mudam - respondeu Klaus, entendi perfeitamente do que ele falava, desde quando ele me conheceu, tenho uma mania de fumar cigarro e tomar um gole de café junto...
- Se lembra dos meus projetos de vida? Aquela tarde que os sentamos na rua no banco da praça vendo as folhas das árvores caírem e que comentamos sobre nossa "Lista de coisas a fazer antes de morrer?" - aquele dia veio em minha cabeça como um filme, isso fazia um ano mais ou menos. Lembro que minha lista tinha 9 itens e até hoje não realizei nenhum deles.
- Claro que lembro, estávamos mais chapados que tudo - Klaus riu - Pra variar - não deixei de rir com o comentário de Klaus.
- É... Mas o que eu disse era verdade! E eu vim aqui hoje, além de te ver e passarmos o resto do dia juntos, foi para realizar o itém número 5 da lista - comentei em tom sério.
Klaus abriu um sorriso enorme, pelo visto ele se lembrava do itém 5.
- Fico feliz que tenha me escolhido para realizar esse itém - disse Klaus de maneira sincera - Então... Vamos começar?
Eu me levantei e dei um abraço apertado em Klaus que me carregou, e começamos a rir juntos. A energia que Klaus emanava me deixava totalmente forte e segura, era por isso que gostava tanto dele... E gostava de ficar perto dele...
Terminei de tomar o meu café e fumar meu cigarro, Klaus foi lá dentro e buscou os instrumentos para fazer o "Itém nº 5". Tirei minha blusa, ficando apenas de sutiã, não tinha vergonha de Klaus, afinal nos conheciamos intimamente também.
- Vai ser aqui mesmo? - perguntou Klaus, Ok, eu e ele já não tinhamos mais nada fazia um bom tempo, mas Klaus não deixava de me olhar de forma desejosa, afinal ele era homem. Concordei com a cabeça, Klaus trabalhou a manhã inteira, quando foi dando o horário do almoço estávamos famintos. Fizemos uma pausa para o lanche e fomos até a cozinha preparar alguma coisa para a gente comer.
Depois de matarmos a fome, retornamos ao trabalho, enquanto Klaus trabalhava no "Item 5" não deixei de reparar em seu rosto concentrado no que fazia, ele franzia o cenho com força e de uma forma sensual, eu ri relembrando de algumas coisas, ele olhou para mim e perguntou do que eu tava rindo... "Nada", respondi segurando o riso, ele sorriu e continuou o trabalho, quando foi umas duas horas da tarde, ele terminou, parou e admirou sua arte.
-Modestia parte, não é porque foi trabalho meu, mas ficaram lindas em você, te deixaram mais sensual, mais gostosa! - comentou Klaus, eu ri e ele me entregou um espelho que ficava na gaveta da comoda da sala.
Olhei para meu reflexo, lá estava eu, com o sutiã preto, pouquissimas sardas perto dos seios fartos (sim, meus seios eram grandes), olhos esverdeados delineados com um lápis creon, gargantilha preta com um pingente de meia-lua, cabelos até o queixo desfiados e uma franja jogada de lado, meio loira. O itém nº 5 estava lá, pronto ; duas cerejas tatuadas em cada ombro, perto da alça do sutiã.
Sorri para minha imagem, meus olhos brilhavam ao ver as tatuagens, ficaram realmente lindas e perfeitas. Klaus tinha razão, as cerejas de fato, dava um ar de sensualidade; mistério e sensualidade, esses eram os significados das cerejas, e esse era o "Item nº 5" da minha lista.
Senti as mãos de Klaus me envolverem em um abraço, observei nossa imagem refletida no espelho, a cabeça de Klaus estava encostada em meu ombro, e seus cabelos lisos roçavam no meu pescoço, ele encarava nossa imagem com o mesmo ar pensativo que o meu.
Ergui minhas mãos e acariciei seus cabelos, ele deu uma fungada em meu pescoço me fazendo arrepiar da cabeça aos pés. Uma enorme saudade da época que ficamos juntos bateu em mim. Klaus era uma espécia de "rolo" meu, depois de termos terminado nosso compromisso sério, perdi as contas das vezes que ficamos por fora...
De fato, Klaus significava muita coisa para mim, foi com ele que perdi minha virgindade, que tomei os porres, ele que SEMPRE esteve comigo. Sempre ficávamos juntos depois das saídas, eu ia pra casa dele, passava a semana lá, faziamos amor a noite toda (e no dia seguinte também), não íamos á aula e ficavamos na casa dele , eu vestia uma de suas blusas que ficavam enorme em mim, e ficava assim o dia todo, era SÓ nós dois e mais ninguém...
Fumávamos, ele tocava violão para mim, enchiamos a cara, só ele me fazia me sentir especial, só ele me enlouquecia (em todos os sentidos)... Amor? Não sei se acredito nesse tipo de coisa ou se é isso que sinto/sentia por Klaus, só sei que curti á beça tudo o que vivi com ele e que sua companhia é fundamental para mim e não sei o que seria da minha vida sem ele...
- Sinto falta de tudo o que vivemos - a voz de Klaus ecoou em minha mente , seu sussurrou me fez extemecer novamente, tudo o que eu mais queria naquele momento era matar saudades dos velhos tempos... - Quando te vi sem blusa de novo, me veio uma vontade enorme de te ter novamente "L"... De te fazer só minha...
Me virei e Klaus beijos as cerejas em meu ombro, o lugar ainda estava meio vermelho.
- Só essa tarde - eu Sussurrei em seu ouvido...