sábado, 12 de junho de 2010

22 - O poeta Fotógrafo

Quando abri a porta da sala um vento frio bateu em meu rosto, peguei uma blusa super-ultra-mega-quente e sai correndo em direção á Estação do metrô, cheguei lá ofegante, com o coração quase saindo pela boca.

Fiquei em pé, encostada na parede esperando por ele... Pelo menos por algum sinal dele, o frio cortava como uma faca afiada, cansei de ficar em pé... DROGA, o que deu em mim? O que estava fazendo ali? Me sentei e abracei as pernas, esfreguei as mãos esquentando-as... Rostos e mais rostos de pessoas passavam por mim e embaralhavam minha mente... Nenhum sinal dele.


Novamente aquela vontade de chorar veio em mim e senti as lágrimas penduradas em meus olhos, que bosta, que bosta, o que tava fazendo ali? Aquela pergunta não saia da minha cabeça e desejei ter continuado em minhas cobertas e ignorado totalmente as rosas e o poema de Dereck sobre mim... E quem seria a doida de ignorar aquilo?

Se passaram horas, não sei quantas exatamente mas continuei ali, imóvel, deitei a cabeça em meus joelhos e acabei dormindo... Não sei por quanto tempo, só sei que senti um frio do caralho e ouvia as pessoas cochichando ao meu redor... Nada... Ele não viria e eu estava fazendo papel de idiota.

Dormi, dormi por horas e acordei com alguém me cutucando, que caralho, quem será que estava me pertubando de meu mundinho fechado e solitário? Acordei meio sonolenta e vi uma figura loira, meio alta parada em minha frente com um sorriso nos lábios e uma câmera pendurada no pescoço. Senti um alivio enorme em vê-lo ali, diante dos meus olhos.

- O que está fazendo aqui? - perguntou Dereck estendo uma mão para mim e me puxando... Até parece que ele não sabia a resposta. Seu ar todo presunçoso lhe denunciava.

Demorei alguns minutos para responder á esta pergunta, aceitei sua mão e me levantei em um salto, cruzei os braços os apertando em meu corpo me protegendo um pouco da friagem. Olhei fixamente em seus olhos...

- Eu... Recebi as flores e seu... Poema... - respondi desviando o olhar.

Dereck deu um sorriso leve e uma risadinha no final. Esperou que eu dissesse mais alguma coisa, mas como não disse, foi a vez dele falar:

- E... Gostou?

Eh... Gostei? Gosteeii, me senti um pouco... Não sei, como sempre, nunca sei definir meus sentimentos... Balancei a cabeça confirmando e ele abriu mais ainda seu sorriso. Pausa para mais um silêncio mortal... E agora? O que aconteceria?

- Ainda não me respondeu o que está fazendo aqui.... - comentou Dereck, DROGA! ele tinha que comentar isso novamente? Achei que a pergunta já estava respondida... Pelo jeito não.

- Hum... Vim procurar... Por você! - respondi revirando os olhos de vergonha, sim, a 'L' sente muita vergonha...

Era justamente isso que Dereck queria ouvir, os olhos dele brilharam como uma criança recebendo o carrinho que pediu de Natal, será que eu seria um presente para ele? Ou seria simplesmente uma garota que ele queria se divertir um pouco? Eu já brinquei tanto com os sentimentos das pessoas que aquilo para mim nem fazia diferença...

Ele me puxou me abraçando, não senti mais frio, seu corpo era quente... Senti novamente aquele cheiro de pimenta misturado com canela... Fechei os olhos... Me apertei mais meu corpo contra o dele... Que droga de sentimento era aquele que fazia meu coração acelerar e as pernas tremerem? Será que esse era o tal do AMOR que dizemos sentir pelas pessoas? Como poderia amar uma pessoa que mal conhecia?

Nos afastamos dando pigarros um pouco envergonhados... Nos encaramos e começamos a rir juntos, ele sempre me fazia rir.

- Então... Vamos para onde? - perguntei entre risos.

- Hum... Tá á fim de ir na minha casa? - ofereceu Dereck... Wow... Ele eh rápido hein? Hahahahahaha não que aquilo estivesse passando por minha cabeça... (Sim, torne as coisas um pouco pervas...). Sim, eu queria ir na casa dele... E descobrir mais sobre ele.

- Claro... - aceitei.

Pegamos o metrô (era impressionante como o metrô movia a vida das pessoas na Alemanha, sem ele não iriamos a praticamente lugar algum. Durante o trajeto não trocamos muitas palavras, elogiei a poesia que ele fez... (sobre eu) e falei que gostei das rosas, embora não ligasse muito para flores e esse tipo todo de romantismo.

Ele apenas riu com minhas palavras e continuou olhando pela janela a cidade iluminada, tudo se tornava um borrão em minha cabeça. Descemos em umas quatro estações depois da minha casa em direção ao centro.

Andamos por uma rua cheia de comércios e barzinhos, Dereck morava em um apartamento pequeno no final daquela rua, seguimos caminhando soltando fumaçinha de frio pela boca... Continuamos em silêncio.

O apartamento dele era acochegante, pequeno mas acochegante; uma sala cheia de fotos de pessoas na rua, coisas jogadas no sofá, uma pilha de roupas sujas em um canto, um cinzeiro cheio de resto de cigarros... Esse era o visual da sala de Dereck.

Ele se apressou em juntar algumas coisas para dá lugar para eu sentar... Me sentei cruzando e abraçando minhas pernas em um canto do sofá. Dereck se sentou em uma cadeira giratória de frente para mim. Todo aquele clima me deixava nervosa e anciosa.

- Você tem algum cigarro? - perguntei tentando acabar com aquele clima - preciso de algo nas mãos...

- Mas você tem algo nas mãos... - respondeu Dereck olhando fixamente em meus olhos.

- Eu? - o que ele queria dizer com aquilo, ergui uma sobrancelha como ele costumava fazer.

- Não... EU.