sábado, 12 de junho de 2010

21 - A Fumante de cigarros de cereja

Naquele mesmo dia quando fechei a porta encontrei Yurika sentada na poltrona da sala de televisão lendo um jornal e fumando um cigarro de canela (tipico dela), ela deu uma olhada em mim por cima do jornal, deu um trago no cigarro e jogou o cabelo para trás. Dei um leve pigarro, subi as escadas dando uma piscadela para ela.

Como sempre saímos para um barzinho, viramos a noite dessa vez, afinal era sexta-feira e o fim de semana era uma criança. Os amigos de Yurika continuavam me tratando super bem, eram interessantes e alguns continuavam dando em cima de mim (e eu continuava ignorando-os). Apesar de está totalmente bêbada naquela noite (sim, eu bebi MUITO), sentada na cadeira daquele barzinho, meus pensamentos infelizmente estavam em Dereck e aquela nossa tarde... Que droga! O que estava acontecendo comigo?

Desejei do fundo do meu coração que ele viesse me procurar no dia seguinte (já que sabia onde eu morava), que saíssemos de novo, tivessemos outra conversa daquelas, que ele fizesse eu esquecer todos os meus traumas, todos os meus medos, que ele fosse como Klaus em minha vida... Ele era uma luz no fim do túnel para mim.

Acordei totalmente de ressaca no dia seguinte com a luz do meio-dia entrando em meus olhos e transpassando a cortina do meu quarto. Yurika dormira na sala e quando desci as escadas não vi sinal dela, apenas as cobertas jogadas no sofá. Tomei um café amargo para ver se parava minha dor de cabeça.

Fiquei o dia todo em casa, e nem sinal de Dereck, okay, não iria até a estação de metrô procurar por ele, essa não era uma conduta "L"; correr atrás das pessoas. Não que eu fosse orgulhosa, só não gostava de me machucar e me decepcionar. As pessoas que geralmente corriam atrás de mim...

Passei a semana toda pensando no desaparecimento de Dereck, "Talvez ele só quisesse saber como eu era... Talvez não tivesse realmente tão interessado em mim..." Esses tantos talvez passavam o dia todo em minha cabeça. Amor á primeira vista? Acha que eu acredito em algo tão ridiculo como isso? Dereck era apenas uma pessoa interessante para mim, como tantas outras, como Kessi era...

Depois de duas semanas finalmente parei de pensar nele. As coisas vieram atona novamente em uma tarde fria de fim de outono, estava sozinha em minha casa, enrolada em cobertores e tomando uma xícara de chocolate quente quando a campainha tocou... Fui atender e era um rapaz, um rapaz comum, com um capotão de frio e um buquê de rosas vermelhas na mão.

- É a senhorita... "L"? - leu o rapaz fazendo uma cara estranha ao ler o destinatário do cartão.

- Sim... sou eu... - disse erguento uma sobrancelha e achando aquilo tudo estranho. De quem seriam aquelas flores? Até parece que eu não sabia a resposta...

- Para a senhorita... - o rapaz me passou as flores e eu as aceitei com um aceno com a cabeça.

Agradeci e fechei a porta, me sentei no sofá, cruzei as pernas e li o cartão. Era de Dereck, meus olhos arregalaram e eu sorri por dentro... Não estava acreditando naquilo.

" Para a minha fumante de cigarros de cereja" - dizia o cartão em uma caligrafia fina e levemente inclinada.

Idiota! Pensei rindo e sentindo uma fina lágrimas correr pelo meu rosto meio queimado de frio. Por que você sumiu sem deixar nenhuma pista? O que estava fazendo comigo mexendo de uma forma tão intensa com meus sentimentos? Vocês devem está achando que eu estava me comportando como uma menininha apaixonada que encontra um cara qualquer na rua e fica semanas pensando nele e pensando em como seria lindo um romance entre os dois... KKKKKKK que jeito mais idiota de se agir... e INFELIZMENTE eu estava quase igual á essas menininhas inocentes... A única diferença é que eu não era inocente.

Levei as flores para meu quarto e as larguei em cima da cama, quando as joguei, um outro cartão um pouco maior saiu de dentro das flores, olhei para ele franzindo o cenho e o segurei para lê-lo. Ainda era a caligrafia de Dereck;

"A fumante de cigarros de cereja...

passava os dias na estação de metrô, sentada em um canto qualquer do hall,
com um cigarro rosa-claro-bebê entre os dedos
dando tragos um atrás do outro
soltando fumaça pelos lábios ressecados pelo frio...

cabelos loiros até o ombro e
olhos cor-de-folhas-de-outono...
Quem ela era?
Com aquele jeito todo distante
tatuagem no ombro oculta pela manga meio caída da blusa

Ela era a fumante de cigarros de cereja..."

Um sorriso simples surgiu em meu rosto quando terminei de ler o poema, tá bom, tá bom, eu chorei! Chorei de novo, era a única coisa que sabia fazer desde que Klaus morreu, e me odiava por me sentir fraca e indefesa... Era dificil eu admitir para mim mesma que eu era fraca e indefesa... E que não era apenas um sentimento passageiro que poderia ser superado com o tempo... Porque cicatrizes nunca se fecham... Nunca...

Eu ia fazer aquilo.... Ia sair correndo por aquela porta, ir até a Estação de metrô e procurar por Dereck, FODAS a conduta L, FODAS se estava bancando a menininha ingenua, e FODAS se iria me machucar... Eu precisava fazer aquilo...