sexta-feira, 24 de junho de 2011
38 - Saindo na Night (Part 1)
- Ficamos preocupados com você Liesel... - ele disse com um sorriso triste no rosto e passando suas mãos pelo meu rosto - Que bom que está bem...
Bem? Não sei se essa era uma boa definição para meu estado agora mas em comparação com antes, sim, eu diria que estou bem. Passei o resto do dia em minha antiga casa conversando com Atlze, até a hora que fui embora Detlef ainda não havia voltado... Atlze não demonstrava muita preocupação em relação a nosso irmão, parecia que isso era frequente.
Fui embora mais tarde que o previsto, quando estava cruzando a porta, Atlze me chamou com uma voz calma;
- Liesel... Não some de novo não tá? Detlef tá precisando da gente.
Eu apenas sorri e levantei um polegar caminhando pela rua á fora em direção á minha casa.
No caminho ficava pensando se Dereck ainda estaria em casa ou não, ok, que se dane, eu não consigo lidar com o fato de tê-lo ali comigo depois de meses de espera.
Precisava de sair, tinha um plano em minha cabeça; passaria em casa, tomaria um banho e iria direto pra casa de Yurika arrumar alguma coisa para fazermos ou algum lugar para irmos, senão, iriamos em qualquer praça, comprariamos uma garrafa de vinho e beberíamos goles entre um trago de cigarro e outro jogando conversa fora e falando de nossos problemas.
Algo me dizia que Dereck não estava mais lá, então entrei sossegada em casa, sem muitas preocupações, subi até meu quarto e encontrei um bilhete amassado, era a letra de Dereck; EU VOLTO.
Não tentei decifrar muito a mensagem oculta por trás do bilhete, então o embolei e joguei na lata de lixo, resolveria esse assunto depois. Entrei pro chuveiro e fiquei horas debaixo da água quente lavando meu cabelo e pensando nas coisas. Meus irmãos, Yurika, Dereck... O estranho...
Sai, me arrumei, vesti uma jaqueta de couro preta, uma bota velha e surrada, uma calça jeans e uma blusa preta meio decotada por baixo da jaqueta. Passei o delineador, o rímel e o habitual lápis creon. Dei uma leve secada nos cabelos loiros e os amassei com os dedos jogando-os de lado junto com minha franja caindo no olho.
Desci para o hall e fui para a porta em direção a rua, abri e fui caminhando até a casa de Yurika, a japonesinha não estava, então me sentei na calçada de frente para o apartamento dela.
Não demorou muito até que Yurika chegasse correndo com uma cara de surpresa ao me ver, dei-lhe um largo sorriso me levantando da calçada.
- E ai? Tá á fim de sair? - isso não soava como uma pergunta, mas sim como uma intimação. Yurika não disse nada, apenas me deu um sorriso maroto me puxando para dentro de sua casa.
- Vamo comigo pro meu quarto enquanto me arrumo, bom que você me conta o que aconteceu... - disse Yurika.
Fomos até o quarto da japonesa que era pouca coisa maior que o meu, me sentei em sua cama enquanto ela se dirigia á seu guarda roupa tirando algumas coisas lá de dentro e colocando as roupas em frente ao seu corpo se olhando no espelho fazendo caretas e soltando muchuchos.
- Pode começar a falar. - disse Yurika em tom sério - O que foi que Dereck fez?
- Ah, não é o Dereck. Eu não sei te explicar o que é... Sabe nesses momentos que você quer fazer uma loucura? É meio que isso - senti um nó em minha garganta, não sabia se contava ou não para Yurika sobre a noite anterior com o estranho, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a japonesa se apressou e disse:
- Vou te apresentar pro Marco, garanto que você vai adorar ele, alias, ele vai te adorar.
Dei apenas um leve sorriso educado e me encostei na cabiceira da cama de Yurika enquanto ela se arrumava, não estava á fim de mais rolos com outros caras, embora conhecer pessoas novas fosse a minha maior alegria.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
37 - Brigas
Eu com 11 anos... Acho que a unica coisa que permaneceu a mesma foi o meu tamanho (sempre fui pequena) porque TUDO mudou, tudo saiu do lugar, nossos país não estavam mais conosco, nosso cachorro ficou em nossa antiga casa e nos distanciamos drasticamente depois disso... Minha carreira de médica? Bom, isso mudou bastante porque hoje em dia nem pensaria em seguir esse tipo de profissão, mas de fato o que importa é que nunca mais sonhamos igual sonhávamos antes, não conversamos mais igual conversávamos antes alias, eu nem vejo meus irmãos faz um bom tempo. Se eles estavam em casa ou não é uma coisa, mas eu estava indo para lá do mesmo jeito.
Apesar de tudo aquela rua me dava saudades, é engraçado como tenho saudades de tudo que já passei, inclusive das coisas mais bobas possiveis. Me aproximei da porta da casa e ouvi conversas lá dentro, era a voz de Detlef, gritos, era Atlze. Abri ruidosamente a porta revelando a imagem do hall, os móveis estavam totalmente fora do lugar desde que eu fui embora dali e por incrivel que pareça estava tudo limpo.
- L! - Atlze gritou com um sorriso no rosto correndo para me abraçar. O abracei bem forte com lágrimas penduradas nos olhos, que saudades de você irmãozinho, as palavras não sairam de minha boca.
- O que você tá fazendo aqui? - a voz que Detlef parecia perigosa e cortava o ar como um trovão. O que? O que tava acontecendo? O que eu fiz?
- Detlef, para com isso - Atlze olhou de uma forma assustada para nosso irmão mais velho.
- Tudo bem... Ahn... O que foi? - comecei a ficar mais preensiva me soltando do abraço de Atlze e cruzando os braços em cima do peito.
- O que foi? Como o que foi? Tá ficando LOUCA Liesel? - Detlef já estava gritando, os olhos dele estavam vermelhos igual fogo e eu podia ver uma veia pulsando em sua têmpora.
- Ele tá drogado? - perguntei de forma calma para Atlze, de fato minha calma irritava Detlef. Atlze fez que sim á minha pergunta, ahn, que ÓTIMO, meu irmão agora se droga.
- Você aparece aqui como se nada tivesse acontecido, você some no mundo com aquele imbecil do Klaus e volta de uma hora pra outra? - ele começou me parecer hostil e eu dei um passo para trás, a maneira como ele se referiu á Klaus fez meu sangue ferver, mas precisava de muito mais que isso para me tirar do sério. - Você não tem juizo Liesel, você nunca teve, você age como uma rebelde sem causa e acha que é dona do seu próprio nariz e acha que pode aparecer depois de mais de um ano?
- Você tá nervoso Detlef, não dá pra conversar com você assim. - tinha um certo tom de deboche e desprezo em minha voz, apesar de saber que Detlef estava drogado e que nada que ele falava era de total sanidade, suas palavras me machucavam. Atlze olhou para mim suplicando para que eu não fizesse nada, tentei manter mais ainda a calma.
- Sua......! - Detlef levantou a mão para me bater na cara, mas antes que sua mão chegase em meu rosto Atlze o segurou.
- VOCÊ TÁ FICANDO LOUCO CARA? VAI BATER EM NOSSA IRMÃ?! - Atlze gritava com Detlef e aquela situação toda me desconfortava, tentei me manter o mais longe possivel do alcance de Detlef enquanto Atlze tentava tranquiliza-lo.
- Atlze, foi mal, não devia ter aparecido aqui, outra hora a gente se vê ta legal? - fui saindo pela porta mas Atlze segurou minha mão me fazendo parar.
- Não Liesel, você fica. - Atlze disse de uma forma séria e tranquilizadora, olhei para ele e me arrependi de não ter procurado-o antes, me lembrei de como éramos quando crianças, de como nos dávamos tão bem.
Detlef saiu enfurecido pela porta pisando forte pela rua á fora. Atlze fechou a porta e me mandou sentar em um sofá aparentemente novo no hall, a casa ainda tinha cheiro de poeira e cigarro com uma leve pitada de maconha.
- Desde quando? - perguntei
- Ele ainda fuma baseado, mas ele tá ficando nervoso... Desdaquela época uai! - disse Atlze - não tá sentindo o cheiro não?
- É... eu to... Olha, foi mal mesmo, não queria causar essa confusão - disse realmente arrependida.
- Não Liesel, não foi sua culpa... Ele tá muito ruim mesmo. E foi bom você ter aparecido, faz tanto tempo que não temos noticias suas...
- É... aconteceram várias coisas comigo... E... bom, não devia ter saído de casa do jeito que sai...
- Não... Não... NÃO MESMO. Mas... A vida é sua né... ? Nunca fomos bons irmãos com você desde que papai e mamãe morreram.
- Pois é... O que aconteceu com a gente hein Atlze? A gente era muito unido... E... Quando era pra ficarmos mais unidos nos distanciamos... Perdemos o rumo... Não sei!
- É... - Atlze comentou pensativo, tive a impressão que ele estava se lembrando dos velhos tempos de criança. - Sabe Liesel, o Detlef gosta muito de você, pode até parecer que não, porque vocês sempre brigaram mas... Ele... Ah! Você sabe como ele é.
- Sei... - mas havia me esquecido, pensei.
36 - O dia seguinte
Fechei os olhos... Klaus... á muito tempo não pensava nele, aquela noite anterior me lembrava uma de nossas primeiras saídas. Não importa quanto tempo se passe, não importa o quanto eu te ame ainda e não me importa se eu vou amar alguém depois de você, eu sempre vou me lembrar do nosso beijo de fumaça com os mesmos sentimentos daquela noite...
Lembrar daquele momento, por melhor que ele tenha sido ainda me angustiava, me doía, por melhor que os momentos de minha vida sejam bons eu tenho medo de me lembrar deles depois, nem eu encontrei explicação plausível para isso.
A campainha da casa tocou, quem seria em uma hora dessas? Me levantei resmungando e prendi meus cabelos em um coque malfeito com algumas mechas caindo, vesti um blusão que me cobria até os joelhos e fui atender a porta.
Meu cérebro não processava nenhuma informação enquanto abria a tranca da porta e coçava o olho esquerdo meio borrado de lápis e delineador, quando dei por mim, Dereck estava parado na porta com um cigarro na boca e um copo descartável de café na outra. Pra variar, não sabia como agir, se o abraçava e dava um sorriso de bom dia ou se continuava fria e seca como meu humor.
- Bom dia Liesel - ele disse em tom animado.
Dei um longo bocejo e respondi um Bom dia em seguida. Abri mais a porta mandando ele entrar, ele continuou parado me observando com um sorriso maroto no rosto, não consegui resistir, Dereck era pelo menos uns 10 cm mais alto que eu e para abraçá-lo e alcançar seu rosto tinha que ficar nas pontas dos pés.
O abracei bem forte ficando na ponta dos pés dando-lhe um beijo demorado. Ele deixou o copo de café cair e jogou o cigarro para um lado me carregando enquanto eu envolvia sua cintura com minhas pernas.
Nos beijamos por mais um bom tempo enquanto Dereck me carregava para o quarto. Essa era uma maneira bem alternativa de se começar o dia, mas como eu amava coisas alternativas estava amando aquele momento e a surpresa de ver Dereck parado em minha porta era excitante.
Quando finalmente paramos de nos beijar estavamos sentados em minha cama meio ofegantes. Me sentei no colo dele e comecei a morder sua boca enquanto ele dava risadas, ele me abraçou, o abraço dele me envolvia por completo e um imenso sentimento de felicidade invadiu meu peito me deixando sem ar.
- O que te deu de repente? Você parecia tão fria quando abriu a porta e agora tá diferente - disse Dereck soltando meu cabelos e os dessarrumando com a mão.
- Nada, sou meio imprevisível, e você me faz mudar de humor também - disse lhe dando mais uma mordida de leve nos lábios. Nos beijamos novamente e por mais uma vez o clima começou a esquentar e eu anciava por Dereck a cada segundo que passava, mas algo me travava e eu não conseguia entender o que era. Comecei tirando a blusa dele enquanto ele tirava o meu unico blusão e me dava leves mordidas na orelha, quando ele fez menção de tirar meu sutiã eu o parei e disse tentando não olhar nos olhos dele
- É... Agora não dá... Eu, eu... Tenho um cliente agora de manhã e já to meio atrasada
Me virei de costas para ele e fui em direção ao guarda roupa procurar uma blusa sem manga preta e uma calça jeans velha. Enquanto me vestia podia sentir o clima de decepção no ar, Oh deus, aquilo parecia durar para sempre, minha vontade era unicamente me virar para Dereck e pedir desculpa mas nem aquilo eu conseguia fazer. Terminei de me vestir e desci as escadas sem ao menos olhar para trás.
Sai pela rua com o sol me aquecendo, fui até uma padaria e comprei um maço de cigarros e fui fumando até a praçinha dali de perto onde havia encontrado o estranho na noite anterior. Fiquei fitando o movimento da rua fumando um cigarro atrás do outro e pensando com que cara chegaria em casa se Dereck ainda estivesse lá. Como não conseguia arrumar uma solução para aquilo resolvi andar, andar até minha antiga casa... Havia muito tempo que não via meus irmãos.
domingo, 27 de março de 2011
35 - Estranho
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
34 - Vidinha nova?
- Bom dia - disse alegremente jogando minha bolsa em um canto e me largando no sofá olhando para o teto.
- Bom dia L... - disse Yurika sorrindo para mim.
Ficamos mais alguns minutos em silencio, ela me encarava com uma expressão de: Você tem que me contar o que aconteceu AGORA! Mas nada saiu da boca dela, foi então que tive a iniciativa de falar. Contei tudo, que vira Dereck, que passara a noite com ele, e que finalmente ele estava de volta, dessa vez para ficar. Yurika me escutava atentamente com uma leve ruga em sua testa, quando finalmente terminei ela sorriu e disse:
- Agora você pode parar de disputar as garotas comigo, não é mesmo Liesel?
Não pude deixar de rir daquele comentário infame de Yurika, me levantei e me sentei ao lado dela lhe dando um abraço apertado, eu não teria suportado tudo aquilo se não fosse por Yurika, era totalmente grata á ela. E mesmo com Dereck de volta, eu não abandonaria, continuariamos amigas como éramos.
- Estou feliz por você... Sei que vão ter momentos dificeis novamente, mas por enquanto... Você pode desacansar e curtir seu.. nem sei o que o Dereck é de você, mas em fim, vai poder conhece-lo melhor também... E ver se ele realmente é... sua... cara metade.
Alma gemea, amor verdadeiro, cara metade, são coisas que nunca acreditei, para uma garota tão alto-suficiente como eu , aquilo tudo soava como coisa de garotinhas em busca do principe encantado que quisessem ser mães de familia, com um maridinho para cuidar e uma casinha para limpar, eu assumira meu nome, mas por dentro continuava a mesma garota Liesel que eu era, e eu tinha uma total REPULSA por uma situação daquelas.
Queria ter meu emprego, viver minha vida, ter alguém para compartilhar minhas ideias, alguém para conversar, rir, chorar, e até mesmo amar... Se bem que amar para mim era uma coisa totalmente diferente, tinha um conceito diferente de Amar... Se eu amasse alguém, daria liberdade á ele... Liberdade era o que eu mais presava na vida... Mas se o que eu mais amava era a liberdade, por que sempre aprisionava as pessoas que mais amo? Era tudo muito contraditório na minha cabeça... Mas em fim, com Dereck novos conceitos surgiriam... Não é mesmo? Com Klaus as coisas eram totalmente diferentes...
Estava sentindo um cheirinho de vida nova no ar...
- E agora? O que você vai fazer? - perguntou Yurika olhando para mim anciosa.
Essa pergunta me pegou de surpresa, foi ai que me lembrei do real motivo de não ter passado o dia com Dereck hoje... Eu precisava desesperadamente de pensar nessa situação... O que eu faria agora? Como agiria? Era estranho.
- Sinceramente... Eu não sei, não faço ideia - fiz uma cara de desanimo para Yurika.
- Não precisa fugir, Liesel, uma chance de viver tudo diferente tá batendo na sua porta, por favor, não vá me sair correndo igual fez várias vezes, afinal, você AMA coisas diferentes. Tá ai uma chance de você mudar totalmente sua vida, realizar seus sonhos. Dereck lhe fará bem... Mas acho que nem tudo será um mar de rosas, mas você vai enfrentar tudo com garra, tenho certeza disso. - as palavras de Yurika me entusiasmavam, a abracei mais uma vez.
- Bom... Deixa eu tomar um banho e ir para o estúdio né... - eu disse me levantando.
- Por falar nisso... Um amigo meu disse que viria aqui hoje planejar uma tatuagem com você, vê se cuida dele direitinho, é um ex meu... Marco - disse Yurika dando uma piscadela. Eu ri da piscadela da japonesinha e subi para tomar um banho.
- Me espere - gritei
- Estarei bem aqui... Pode subir tranquila - gritou Yurika de volta.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
33 - Liesel
Me apertei mais ainda aos braços de Dereck e finalmente as lágrimas pararam de escorrer, tudo ficaria bem, naqueles braços eu encontrava tudo aquilo que havia perdido durante um bom tempo de minha vida. Depois de um bom tempo juntos, nos separamos e eu caminhei até o guarda-roupa de Dereck roubando uma de suas blusas pretas e a vesti me cobrindo até os joelhos, caminhei até onde ele estava sentado com um olhar vago para mim e o abracei mais uma vez encostando levemente sua cabeça em meu peito afagando seus cabelos loiros carinhosamente. Encostei na beirada da cama com Dereck deitado sobre parte do meu corpo, sua cabeça ainda repousava sobre meu peito, peguei um maço de L.A e ascendi um cigarro, dei um leve trago com a fumaça doce inundando meus lábios, passei-o para Dereck.
Talvez ter esperado aquele tempo todo valesse á pena, cada segundo que passava meu coração se sentia mais confortado por ter Dereck ali bem na minha frente, dormindo feito um gatinho manhoso. Ficamos em silencio pelo resto da noite apenas trocando alguns cochichos e tragos de cigarro. Eu finalmente encontraria a minha paz, quanto maior a dor, maior o alivio.
Eu estava em extase, simplesmente não conseguia fechar o olho, eu não vou dormir pra não acordar e depois descobrir que tudo eu sonhei, aconteça o que acontecer estarei aqui sempre por você... Um sonho... Tudo aquilo parecia um sonho... E eu realmente não queria acordar. Estava tudo tão perfeito.
Nem me dei conta do que aconteceu, só sei que abri o olho e vi Dereck parado ao meu lado me contemplando com um sorriso no rosto e uma caneca de café na mão, então não era um sonho, ele realmente estava ali. Sorri para ele, me levantei um pouco para lhe dá um selinho de bom dia. Os raios de sol entravam pela cortina bege do quarto de Dereck iluminando parcialmente o quarto escuro, eu gostava daquela luz abafada pela cortina, dava um ar meio acochegante.
Ele me entregou a caneca de café e dei um gole, não trocamos muitas palavras, o silêncio era quebrado apenas pelo barulho da rua que começava a ficar movimentada. Eu nem sabia que horas iria voltar pro estúdio, se é que eu ia abri-lo hoje, não tinha nenhum cliente marcado. Quis encher Dereck de perguntas, mas meu cérebro ainda estava em momento de extase por causa das ultimas emoções, teriamos tempo de sobra para conversarmos sobre o que havia acontecido durante o tempo em que ele esteve fora. Olhei para ele, mantinha aquela mesma pose pomposa e aquele olhar fulminante, eu sorri de modo timido e passei a caneca de café para ele.
Ele desceu as escadas para pegar mais café, levantei, vesti minha roupa meio apressada e arrumei os cabelos levemente embaraçados, procurando um lápis creon em minha bolsa, fui até o banheiro do quarte de Dereck e retoquei a maquiagem levemente borrada. Eu gostava daquela aparencia meio rebelde... Meio L... Ops, quer dizer, Liesel. Quando fui até o quarto Dereck me aguardava sentado na cama fumando um cigarro de palha.
- Onde você pensa que vai? - perguntou ele dando uma leve risadinha sacarstica.
- Bom... Eu tenho que voltar pra minha casa uma hora ou outra, então resolvi ficar pronta já - eu disse enquanto guarda o lápis na bolsa.
- Hum... - Dereck disse pensativo dando um trago no cigarro e passando-o para mim. - Eu tenho que resolver umas coisas amanhã... Por que não passa o dia comigo e amanhã quando for olhar minhas coisas eu te deixo em casa.
Parecia uma oferta tentadora, mas não... Eu não ficaria mais um dia com ele, precisava de um tempo sozinha numa praça qualquer da cidade para pensar um pouco que rumo minha vida tomaria, minha cabeça estava totalmente revirada e eu precisava coloca-la em ordem (ou fugir).
- Não... Acho melhor não... Sabe onde eu moro... Aparece lá quando tiver vontade... Ou eu venho aqui quando tiver com as coisas no lugar... A gente ainda precisa conversar - disse essas palavras tentando não olhar para ele, mas eu podia perceber que ele me observava da cabeça aos pés. Peguei minha bolsa, entreguei o cigarro para ele e fui indo em direção á porta do quarto quando senti sua mão segurando a minha.
- Eu não vou á lugar algum, O.k? - disse Dereck sorrindo para mim, como se quisesse me tranquilizar. Eu nada disse, apenas acenei com a cabeça e desci as escadas em direção a porta de saída.
Quando a abri, um vento levemente frio passou pelo meus cabelos e refrescando meu rosto, eu fui caminhando para casa.
Nota: Liesel se pronuncia Li-É-zel.
sábado, 11 de dezembro de 2010
32 - L...
Sua boca estava colada ao meu ouvido, dando leves mordidas em minha orelha, me fazendo arrepiar da cabeça aos pés... Suas mãos estavam por baixo da minha blusa fazendo menção de tira-la, levantei meus braços e ele a tirou encarando-me por poucos segundos. Me apertei mais uma vez ao corpo dele soltando um leve gemido. O senti bufando satisfeito em meu pescoço.
Se eu estava com muito tesão naquela hora, Dereck estava três vezes á mais do que eu, estava estampado na cara dele, e eu ria internamente com aquele jeito pomposo dele me acariciar e me beijar. Era como se ele fosse o melhor, como se ele quisesse se sentir o melhor, era um tanto exibicionista também... Mas era algo que me fascinava.
Todo aquele momento parecia magia e todo aquele sofrimento e angustia que sentia estavam indo embora a cada beijo que Dereck me dava... A raiva que senti por ele por ter me deixado esperando por tanto tempo também se dissipava em cada abraço apertado. Eu queria que o tempo parasse e que ficasse abraçada á Dereck para sempre... Todo o sempre.
Ele me jogou de forma carinhosa na cama se colocando em cima de mim me beijando loucamente, eu dava leves mordidas em seus lábios fazendo-o rir graciosamente. Era de uma certa forma DIVERTIDO brincar com ele. Ele fez menção de desabotoar meu sutiã, foi ai que me veio um pensamento á cabeça de : Opa, será que não estou sendo FÁCIL demais? Porra, L, você estava 'pronta' para dá uma bronca nele por esse tempo e já está indo para a cama com ele. Tudo bem que era o que você mais queria, mas... Não era pra ser tão facil assim. Por mais que eu tentasse, eu não conseguia pará-lo, minhas mãos não se moviam, só o prendiam ainda mais em mim. Ele pareceu perceber esse meu pensamento, era como se lesse minha mente, e no meio do caminho até meus seios ele os beijou e depois olhou para meu rosto.
- Não se preocupe, não está sendo tão facil assim... Você não sabe o quanto eu esperei por esse momento - ele se distancio de mim poucos milimetros e me deu um selinho carinhoso - mas se você acha que ainda não está no momento certo, podemos parar por aqui...
Eu tremi, não sabia o que responder naquela hora, será que ele não me desejava tão ardentemente quanto eu o desejava? Ele parecer perder totalmente o interesse por mim, será que fiz algo errado? Toda aquela felicidade que estava sentido estava indo pelo ralo aos poucos...
- Eu... É... - não conseguia emitir som algum
Ele se aproximou de mim lentamente como um gato astuto, deu uma risadinha e deu mais uma olhada em meu corpo, dei uma leve enrubrecida pois estava apenas de calcinha. Ficamos alguns minutos em silencio e Dereck se levantou da cama caminhando até a janela, deu uma olhada lá fora e depois se dirigiu até a comoda pegando um maço de cigarro de palha e dando um trago, passou o cigarro para mim mas recusei.
- Você não sabe o quanto estou me segurando para não ir até ai e te beijar e continuar o que estávamos fazendo, mas eu respeito e percebi que você estava meio insegura, por isso parei.
- ele me encarava de um modo sério que até arrepiei, a voz dele era calma e constante, sem alterar uma nota sequer... - Não pense que não é porque não sinto desejo por você, porque seu corpo, suas curvas me levam ao delirio... Eu só te respeito... - ele chegou mais perto e segurou meu rosto com suas mãos chegando sua boca próxima de meu ouvido - Eu te amo... Liesel... - meus olhos arregalaram e marejaram de lágrimas.