segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

33 - Liesel

O fato de Dereck ter mencionado meu nome me fez tremer da cabeça aos pés, as lágrimas penduradas em meus cilios começaram a rolar pelo meu rosto de forma descontrolada, e antes mesmo que eu pudesse perceber eu estava envolvida pelos braços musculosos de Dereck aos prantos. Para de chorar Liesel... uma voz em minha cabeça gritava desesperada comigo... percebi que era a voz de meu irmão... Atlze. Liesel... a voz de minha mãe me chamando enquanto eu corria na escada de casa, Liesel... A voz terna de meu pai vindo me abraçar... Liesel a voz de Klaus. Estava finalmente na hora de me assumir e parar de me esconder atrás de um codinome. Aquele era meu nome, o nome que minha mãe me dera e eu o usaria novamente.

Me apertei mais ainda aos braços de Dereck e finalmente as lágrimas pararam de escorrer, tudo ficaria bem, naqueles braços eu encontrava tudo aquilo que havia perdido durante um bom tempo de minha vida. Depois de um bom tempo juntos, nos separamos e eu caminhei até o guarda-roupa de Dereck roubando uma de suas blusas pretas e a vesti me cobrindo até os joelhos, caminhei até onde ele estava sentado com um olhar vago para mim e o abracei mais uma vez encostando levemente sua cabeça em meu peito afagando seus cabelos loiros carinhosamente. Encostei na beirada da cama com Dereck deitado sobre parte do meu corpo, sua cabeça ainda repousava sobre meu peito, peguei um maço de L.A e ascendi um cigarro, dei um leve trago com a fumaça doce inundando meus lábios, passei-o para Dereck.

Talvez ter esperado aquele tempo todo valesse á pena, cada segundo que passava meu coração se sentia mais confortado por ter Dereck ali bem na minha frente, dormindo feito um gatinho manhoso. Ficamos em silencio pelo resto da noite apenas trocando alguns cochichos e tragos de cigarro. Eu finalmente encontraria a minha paz, quanto maior a dor, maior o alivio.

Eu estava em extase, simplesmente não conseguia fechar o olho, eu não vou dormir pra não acordar e depois descobrir que tudo eu sonhei, aconteça o que acontecer estarei aqui sempre por você... Um sonho... Tudo aquilo parecia um sonho... E eu realmente não queria acordar. Estava tudo tão perfeito.

Nem me dei conta do que aconteceu, só sei que abri o olho e vi Dereck parado ao meu lado me contemplando com um sorriso no rosto e uma caneca de café na mão, então não era um sonho, ele realmente estava ali. Sorri para ele, me levantei um pouco para lhe dá um selinho de bom dia. Os raios de sol entravam pela cortina bege do quarto de Dereck iluminando parcialmente o quarto escuro, eu gostava daquela luz abafada pela cortina, dava um ar meio acochegante.

Ele me entregou a caneca de café e dei um gole, não trocamos muitas palavras, o silêncio era quebrado apenas pelo barulho da rua que começava a ficar movimentada. Eu nem sabia que horas iria voltar pro estúdio, se é que eu ia abri-lo hoje, não tinha nenhum cliente marcado. Quis encher Dereck de perguntas, mas meu cérebro ainda estava em momento de extase por causa das ultimas emoções, teriamos tempo de sobra para conversarmos sobre o que havia acontecido durante o tempo em que ele esteve fora. Olhei para ele, mantinha aquela mesma pose pomposa e aquele olhar fulminante, eu sorri de modo timido e passei a caneca de café para ele.

Ele desceu as escadas para pegar mais café, levantei, vesti minha roupa meio apressada e arrumei os cabelos levemente embaraçados, procurando um lápis creon em minha bolsa, fui até o banheiro do quarte de Dereck e retoquei a maquiagem levemente borrada. Eu gostava daquela aparencia meio rebelde... Meio L... Ops, quer dizer, Liesel. Quando fui até o quarto Dereck me aguardava sentado na cama fumando um cigarro de palha.

- Onde você pensa que vai? - perguntou ele dando uma leve risadinha sacarstica.

- Bom... Eu tenho que voltar pra minha casa uma hora ou outra, então resolvi ficar pronta já - eu disse enquanto guarda o lápis na bolsa.

- Hum... - Dereck disse pensativo dando um trago no cigarro e passando-o para mim. - Eu tenho que resolver umas coisas amanhã... Por que não passa o dia comigo e amanhã quando for olhar minhas coisas eu te deixo em casa.

Parecia uma oferta tentadora, mas não... Eu não ficaria mais um dia com ele, precisava de um tempo sozinha numa praça qualquer da cidade para pensar um pouco que rumo minha vida tomaria, minha cabeça estava totalmente revirada e eu precisava coloca-la em ordem (ou fugir).

- Não... Acho melhor não... Sabe onde eu moro... Aparece lá quando tiver vontade... Ou eu venho aqui quando tiver com as coisas no lugar... A gente ainda precisa conversar - disse essas palavras tentando não olhar para ele, mas eu podia perceber que ele me observava da cabeça aos pés. Peguei minha bolsa, entreguei o cigarro para ele e fui indo em direção á porta do quarto quando senti sua mão segurando a minha.

- Eu não vou á lugar algum, O.k? - disse Dereck sorrindo para mim, como se quisesse me tranquilizar. Eu nada disse, apenas acenei com a cabeça e desci as escadas em direção a porta de saída.

Quando a abri, um vento levemente frio passou pelo meus cabelos e refrescando meu rosto, eu fui caminhando para casa.




















Nota: Liesel se pronuncia Li-É-zel.