Passei o resto da tarde com meu irmão Atlze, contei á ele tudo que havia acontecido desde a morte de Klaus até a chegada de Dereck, ele ouvia tudo com atenção e ficou realmente surpreso com tudo.
- Ficamos preocupados com você Liesel... - ele disse com um sorriso triste no rosto e passando suas mãos pelo meu rosto - Que bom que está bem...
Bem? Não sei se essa era uma boa definição para meu estado agora mas em comparação com antes, sim, eu diria que estou bem. Passei o resto do dia em minha antiga casa conversando com Atlze, até a hora que fui embora Detlef ainda não havia voltado... Atlze não demonstrava muita preocupação em relação a nosso irmão, parecia que isso era frequente.
Fui embora mais tarde que o previsto, quando estava cruzando a porta, Atlze me chamou com uma voz calma;
- Liesel... Não some de novo não tá? Detlef tá precisando da gente.
Eu apenas sorri e levantei um polegar caminhando pela rua á fora em direção á minha casa.
No caminho ficava pensando se Dereck ainda estaria em casa ou não, ok, que se dane, eu não consigo lidar com o fato de tê-lo ali comigo depois de meses de espera.
Precisava de sair, tinha um plano em minha cabeça; passaria em casa, tomaria um banho e iria direto pra casa de Yurika arrumar alguma coisa para fazermos ou algum lugar para irmos, senão, iriamos em qualquer praça, comprariamos uma garrafa de vinho e beberíamos goles entre um trago de cigarro e outro jogando conversa fora e falando de nossos problemas.
Algo me dizia que Dereck não estava mais lá, então entrei sossegada em casa, sem muitas preocupações, subi até meu quarto e encontrei um bilhete amassado, era a letra de Dereck; EU VOLTO.
Não tentei decifrar muito a mensagem oculta por trás do bilhete, então o embolei e joguei na lata de lixo, resolveria esse assunto depois. Entrei pro chuveiro e fiquei horas debaixo da água quente lavando meu cabelo e pensando nas coisas. Meus irmãos, Yurika, Dereck... O estranho...
Sai, me arrumei, vesti uma jaqueta de couro preta, uma bota velha e surrada, uma calça jeans e uma blusa preta meio decotada por baixo da jaqueta. Passei o delineador, o rímel e o habitual lápis creon. Dei uma leve secada nos cabelos loiros e os amassei com os dedos jogando-os de lado junto com minha franja caindo no olho.
Desci para o hall e fui para a porta em direção a rua, abri e fui caminhando até a casa de Yurika, a japonesinha não estava, então me sentei na calçada de frente para o apartamento dela.
Não demorou muito até que Yurika chegasse correndo com uma cara de surpresa ao me ver, dei-lhe um largo sorriso me levantando da calçada.
- E ai? Tá á fim de sair? - isso não soava como uma pergunta, mas sim como uma intimação. Yurika não disse nada, apenas me deu um sorriso maroto me puxando para dentro de sua casa.
- Vamo comigo pro meu quarto enquanto me arrumo, bom que você me conta o que aconteceu... - disse Yurika.
Fomos até o quarto da japonesa que era pouca coisa maior que o meu, me sentei em sua cama enquanto ela se dirigia á seu guarda roupa tirando algumas coisas lá de dentro e colocando as roupas em frente ao seu corpo se olhando no espelho fazendo caretas e soltando muchuchos.
- Pode começar a falar. - disse Yurika em tom sério - O que foi que Dereck fez?
- Ah, não é o Dereck. Eu não sei te explicar o que é... Sabe nesses momentos que você quer fazer uma loucura? É meio que isso - senti um nó em minha garganta, não sabia se contava ou não para Yurika sobre a noite anterior com o estranho, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a japonesa se apressou e disse:
- Vou te apresentar pro Marco, garanto que você vai adorar ele, alias, ele vai te adorar.
Dei apenas um leve sorriso educado e me encostei na cabiceira da cama de Yurika enquanto ela se arrumava, não estava á fim de mais rolos com outros caras, embora conhecer pessoas novas fosse a minha maior alegria.