domingo, 31 de outubro de 2010

30 - Vulnerável

Esperei tanto por aquele momento e agora com ele diante de meus olhos, eu tremia e sentia vontade de fugir dali, correr pra bem longe e não aparecer nunca mais. Por que eu estava sempre fugindo das minhas oportunidades de ser feliz? Eu me detestava por isso, mas infelizmente eu tinha que admitir, a velha garotinha ingenua e medrosa estava voltando á tona e tomando conta de mim. Eu tinha que fazer alguma coisa antes que ela me dominasse por completo. Alguma coisa além de fumar um cigarro atrás do outro.


Fiquei parada por mais alguns minutos, até que uma subita coragem apossou-se do meu corpo me fazendo atravessar a rua, estender a mão e tocar a campainha do apartamento dele. Talvez tenha sido um ato total de insanidade pura, mas era o que uma garota foda faria. Arriscaria tudo.


Ele olhou pela janela e me viu parada lá em baixo, no momento em que nossos olhos se cruzaram senti um arrepio na pele , mas continuei a encara-lo. Ele não parecia nem um pouco surpreso ao me ver parada ali, na verdade, tinha um certo ar de presunção em seu rosto e aquele velho sorriso encantador brincando em seus lábios. Tentei não demonstrar nenhuma emoção ao vê-lo embora meus sentimentos estivessem queimando em meu coração. Continuei parada analisando suas expressões.



Ele sumiu, provavelmente estava descendo as escadas para abrir a porta, o barulho de seus passos ecoaram pelo corredor que levava até a porta de seu apartamento. Mil cenas passaram em minha cabeça, todas elas imaginadas por mim enquanto Dereck estava fora. Sonhava com aquele momento há muito tempo, e agora que ele estava ali, e a única vontade que senti não foi de abraça-lo, fiquei imóvel e ele me encarava com o mesmo ar presunçoso. Havia um brilho especial em seus olhos, um brilho que eu nunca havia notado antes.

- Olá... - disse ele erguendo uma das sobrancelhas.

Não respondi, continuei encarando-o com os olhos marejados de lágrimas, ele fez menção de vim me dá um abraçado, mas institivamente recuei um passo e os braços dele cairam em sua cintura. Vi seu rosto dá uma leve corada.

- O que foi L? O que você tem? Tá estranha... Estava com saudades de você - ele tentou sorrir mais uma vez, mas aquele sorriso não impedia que minhas lágrimas descessem pelo meu rosto. Ele tentou me abraçar mais uma vez mas não deixei, recuei e segurei suas mãos longe de mim, abaixei a cabeça. Ele lutou contra minhas mãos o segurando e me abraçou bem forte. Aquele velho cheiro me veio as narinas, permaneci imóvel, não conseguia nem respirar direito. Minha cabeça parecia que ia explodir, eu não conseguia nem lutar contra aquele abraço carinhoso e confortante, meus pés não se moviam e eu podia jurar que tremia. O que está acontecendo? Não podia ouvir mais nada além do sussurro 'Me desculpe' de Dereck.

Parte Três - Outono.